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A Maldição da Petrobrás

Oil drums pile

A maldição da Petrobrás

Michael Ross

 

A maioria dos países produtores de petróleo desenvolvem  uma estranha doença. Quando uma nação descobre petróleo ou gás natural em seu território, à primeira vista tudo parece glorioso: as pessoas passam a ficar mais ricas, o governo anuncia projetos grandiosos, e líderes políticos  tornam-se populares. Mas, bastam alguns anos para as boas notícias sumirem e então, projetos são cancelados, a pobreza retorna mais forte do que nunca, e descobrimos que uma grande parte do dinheiro do petróleo foi perdido para a corrupção.

Este é o enredo da Maldição do Petróleo em todas as partes do mundo – da Nigéria a Venezuela, do Irã a Rússia, da Líbia até o Alasca. Os problemas que a Petrobrás está enfrentando indicam que ela  também acabou sendo vítima da maldição.

A Maldição do Petróleo não é causada por tacanhice ou estupidez. Na verdade, o governo brasileiro havia tomado muitas medidas de forma correta: o país possui  leis que são publicamente reconhecidas, tribunais e órgãos de auditoria e um setor comercial e de negócios bem forte, comparado a muitos outros países do mundo. Há apenas alguns anos atrás, muitos experts  teciam elogios em relação à Petrobrás e argumentavam que outros países produtores  de petróleo  deveriam seguir o exemplo brasileiro.

No entanto, poucas pessoas sabem o quanto é difícil administrar uma fonte de riqueza mineral como o petróleo. À primeira vista, descobrir petróleo equivale a ganhar na loteria: o maior problema parece  ser  saber o que fazer com tanta riqueza. Entretanto, existe aí uma falha de interpretação: não existe facilidade no ato de tornar uma fonte de riqueza mineral em desenvolvimento econômico. Grandes somas de investimentos são necessárias, e para cada novo projeto existem novas possibilidades de corrupção. Os preços da commodity podem despencar da noite para o dia, arruinando mesmo planos bem elaborados e estruturados. Companhias nacionais de Petróleo, tais como a Petrobrás podem tornar-se ferramentas valiosas nas mãos de políticos corruptos que possuem tanto dinheiro para gastar que ninguém se atreve a criticá-los.

Há aproximadamente 4 anos atrás comecei a receber ligações de jornalistas brasileiros que me perguntavam se o Brasil havia definitivamente escapado da Maldição do Petróleo. Eles estavam especialmente muito curiosos em relação a Petrobrás. Eu os adverti que qualquer país que baseie seu desenvolvimento em petróleo ou gás natural, o cenário pode sucumbir de forma muito abrupta. Nos idos dos anos 90, por exemplo, a Venezuelana PDVSA era a mais admirada, mais profissional e a que possuía maior independência política em relação a todas as companhias petrolíferas do planeta. Até 1998, a PDVSA era vista como um modelo para o resto do mundo.

A  derrocada da Petrobrás, assim como a da PDVSA,  nos faz pensar no desafio que é transformar uma riqueza que está no subsolo em uma riqueza que pode ser utilizada e usufruída sobre o solo. Manter companhias petrolíferas livre de interferência política é muito difícil. Em alguns casos pode ser até impossível. O ativo mais importante que o Brasil possui é o seu povo e não o seu petróleo; investimentos em saúde e educação  podem trazer formas mais sustentáveis de crescimento e desenvolvimento e também pavimentar um caminho livre da maldição do petróleo.

Michael Ross

Professor titular da universidade da California

 

 

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